Translate to English Translate to Spanish Translate to French Translate to German Translate to Italian Translate to Russian Translate to Chinese Translate to Japanese
https://enoquea
Em que ano nasceu Allan Kardec?
1734
1756
1833
1804
1889
1839
Ver Resultados
  • Currently 2.96/5

Rating: 3.0/5 (23 votos)


ONLINE
1




Partilhe esta Página



Obrigado meu caro irmão ou irmã pela sua visita. Espero que tenham se sentido bem nestes momentos que aqui passastes envolvidos pelas vibrações que emanam do nosso Divino Mestre e de sua Plêiade de Bons Espíritos.




A Reencarnação e Missão de um Espírito II

A Reencarnação e Missão de um Espírito II

A Reencarnação e Missão de um Espírito II

*Enoque Alves Rodrigues

Feliz e robusto crescia Cláudio em meio ás plantações de milho, feijão, algodão e alho culturas naturais daquele abençoado pedaço de chão localizado ao Norte das Gerais. Seus pais, Alfredo e Rosa, roceiros, que arrendavam aquele pequeno sitio, se desdobravam para que nada faltasse aos seis filhos, principalmente a Cláudio, por ser o caçula, com corpo e mente ainda em formação. Eles se esmeravam para que Cláudio pudesse ter o melhor possível ás suas necessidades e o esforço e desprendimento dos pais de Cláudio se tornaram mais evidentes quando, ao contrário de seus irmãozinhos menores, o matricularam na Escolinha Rural onde teve o seu primeiro contato com as letras do bê-á-bá e com os números da tabuada, privilégio apenas seu, pois em toda a sua família ninguém sabia ler ou escrever, tampouco qualquer operação aritmética. Viviam, única e exclusivamente para a lavoura de onde arrancavam o sustento.

Ao retornar da Escola, Cláudio, agora com oito anos, depois de fazer o “dever de casa” da Escola, mergulhava, de acordo com suas condições físicas de menino, nas tarefas que o pai Alfredo lhe designava e que consistiam em trabalhos leves e simples como apascentar o gado e quando sobrava algum tempo, munido de uma “meia” enxada, carpia alguns eitos de roça livrando vários pés de feijão das ervas daninhas que ao contrário da cultura útil, cresciam viçosas e verdejantes.

Quando Cláudio atingiu a idade de doze anos, seus pais, católicos fervorosos, responsáveis e cônscios de seus deveres que se martirizavam por não terem conseguido oferecer aos demais irmãos de Cláudio oportunidades de algum estudo, começaram a se preocupar. Não viam para o filho, naquele lugarejo, um futuro promissor. Eles não queriam que Cláudio fosse como eles, ou seja, desprovidos culturalmente. Almejavam para aquele filho tudo de bom que a vida possa oferecer aos que melhor se preparam para disputar em condições de igualdade cada oportunidade ainda que se tenha de matar um leão por dia. Preparariam o filho para esse combate aconteça o que acontecesse.

Bem, redundante seria seguir dizendo que ali naqueles confins não tinha recurso que permitisse sequer humilde base cultural para Cláudio que havia concluído o curso primário na Escolinha Rural naquele final de ano. O ensino ali só ia até o curso primário. Assim sendo, sem titubearem, Alfredo e Rosa decidiram que o filho Cláudio seguiria os seus estudos na cidade mais próxima que distava cento e vinte quilômetros. Seguramente que lá encontraria os melhores colégios e universidades onde Cláudio poderia levar os seus estudos até o final.

- “Ocê vai sê arguém na vida, Cráudio e ainda vai dá muintcho orgúio prá nóis, se Deus quizé!”, dizia Alfredo, pai de Cláudio, em seu dialeto caipira do meu lugar.

- “Deus vai querer sim, meu pai... Eu prometo me esforçar o máximo para dar ao senhor e a mainha esse orgulho. Podem acreditar que eu jamais os decepcionarei...”.

- “Sabemo disso, meu fio. Por isso Sá mãe e ieu num vai poupá esfôuço para vê ocê hôme formado. A nossa meta é fazê docê dotôr!”.

Dois dias depois desta conversa, Alfredo, Rosa e Cláudio andavam pelas ruas da Cidade de Montes Claros a procura de uma pensão onde pudessem hospeda-lo durante todo o tempo que durassem seus estudos, assim como de uma Escola de primeiro e segundo graus, e, pasmem, numa visão longa e futurista permitida apenas àqueles que pensam e agem em sintonia plena com as coisas espirituais, de uma boa Faculdade onde o filhão teria de sair muitos anos depois com o seu canudo de doutor debaixo do braço.

Devo ressaltar que nesta época a qual me reporto ali por aquelas plagas de meu Deus tudo era infinitamente mais difícil do que é hoje. Não tinha Escola para todos. A escola pública a qual o pobre tinha acesso praticamente só lecionava até o primário. Á partir dali o ensino era pago. Só existia o “Pro-Nada” já que os Pro-Unis sequer se imaginavam, pois é muito recente. Pobre não tinha vez. Somente filhos de pessoas muito ricas chegavam à Faculdade onde pobre sequer passava em frente. Fazer o que? O Mundo era assim e assim seria por muitíssimo tempo.

Felizes, finalmente, depois de uma semana de procura, eles encontraram a Pensão e o Grupo Ginasial onde nosso amiguinho Cláudio se estabeleceria para dar inicio a mais essa etapa em sua vida. Retornaram ao Sitio e agora tinham outra preocupação: vender algumas cabeças de gado do reduzidíssimo rebanho composto por vinte reses a fim de bancarem o começo de uma nova vida para o filho. Mais um problema: naqueles tempos, em determinadas regiões do Brasil dinheiro em circulação era coisa rara. Era comum, apesar de poucos hoje acreditarem, a prática do escambo. Ou seja, a troca de produtos. Se eu tivesse farinha e desejasse rapadura, tinha de fazer duas rezas: a primeira para que o meu vizinho não tivesse farinha e a segunda para que ele tivesse rapadura. Com isso o poder de barganha de ambos estaria em igualdade, alimentando com isso a lei da oferta e da procura meio que ás avessas. Você entendeu?

Só que ocorreu o seguinte e espero que você não tenha se distanciado da primeira parte dessa crônica espírita, se é que você deseja mesmo entendê-la, fielmente.

Para que o espírito Cláudio levasse adiante a sua missão ele dependia que seus pais antes, cumprissem com as suas próprias missões que era de dota-lo de embasamentos elementares e indispensáveis. Por isso, não foi difícil aos pais de Cláudio vender aquelas vaquinhas. Os Amigos Espirituais que a Cláudio assistiam “deram uma mãozinha” pelo menos naquele primeiro momento.

No próximo episódio vamos encontrar Cláudio, personagem principal dessa crônica já em Montes Claros.

Aguardem!

* Enoque Alves Rodriguesé espírita