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Obrigado meu caro irmão ou irmã pela sua visita. Espero que tenham se sentido bem nestes momentos que aqui passastes envolvidos pelas vibrações que emanam do nosso Divino Mestre e de sua Plêiade de Bons Espíritos.




JERÔNIMO MENDONÇA - O GIGANTE DEITADO

JERÔNIMO MENDONÇA - O GIGANTE DEITADO

Crônica Espírita 

* Enoque Alves Rodrigues

PARTE I — O CORPO QUE NÃO CABIA NA ALMA

Jerônimo nasceu pequeno para o mundo, mas grande demais para o próprio corpo.
Não se percebe isso no berço. Ali, como em todos os começos, havia apenas um menino, um choro comum, um destino ainda dobrado como papel por abrir. Minas Gerais seguia seu ritmo lento, poeirento, com igrejas antigas e gente acostumada a olhar o céu quando faltavam respostas. Ninguém imaginava que aquele menino atravessaria a vida quase sem atravessar o quarto.

O corpo começou a falhar cedo. Primeiro, uma dor discreta, dessas que os adultos minimizam com um “isso passa”. Não passou. A dor ganhou nome difícil, diagnóstico pesado, e uma insistência que parecia pessoal. A artrite veio como visita que não pede licença e nunca vai embora. Articulações inchadas, ossos que pareciam lutar contra si mesmos, o rosto lentamente redesenhado pela doença. O espelho passou a ser um território hostil.

Jerônimo aprendeu cedo que o corpo pode se tornar uma prisão sem grades.
Enquanto outros aprendiam a correr, ele aprendia a suportar. Enquanto outros colecionavam quedas no quintal, ele colecionava limitações. Cada movimento exigia negociação com a dor. Cada manhã era um teste de resistência. O corpo encurtava, enrijecia, se fechava — mas algo dentro dele insistia em expandir.

A cama tornou-se território definitivo. Não por escolha, mas por rendição física. Havia dias em que o mundo inteiro cabia naquele retângulo: teto, janela, um pedaço de céu, o som distante da rua. Deitado, imóvel, deformado aos olhos de quem só mede grandeza em metros e força muscular. Para muitos, ali estava um homem vencido.

Mas Jerônimo nunca se percebeu assim.

O que poucos entendiam — e quase ninguém via — era que, quanto menos o corpo respondia, mais a alma parecia despertar. Não em revolta, não em negação, mas em uma estranha lucidez. A dor, quando constante, ensina. Ela tira o excesso, raspa as ilusões, obriga o pensamento a ir onde o corpo não pode.

Foi nesse silêncio forçado que o espiritismo entrou como quem não promete cura, mas oferece sentido. Não lhe disse “você vai andar”, nem “isso vai acabar”. Disse algo mais radical: isso tem um porquê. E, para alguém que já perdera quase tudo, encontrar significado foi como recuperar o chão — mesmo sem poder pisar nele.

Jerônimo não romantizava a dor. Não a chamava de bênção. Ele a conhecia demais para isso. Sabia que doía, que cansava, que humilhava. Mas aprendeu a não permitir que ela definisse quem ele era. O corpo estava quebrado; o espírito, não.

Vieram as leituras, as reflexões, as conversas longas com quem se aproximava da cama esperando consolo e saía carregando perguntas. Jerônimo falava baixo, às vezes com dificuldade, mas cada palavra parecia maior que o quarto. Não discursava; partilhava. Não ensinava de cima; falava do fundo.

Alguém, em algum momento, o chamou de Gigante Deitado.
O apelido pegou porque era exato. Gigante não pelo corpo — esse já não sustentava nem o próprio peso —, mas pela estatura moral. Deitado não por preguiça ou fuga, mas porque a vida o colocou assim, e mesmo assim ele permaneceu de pé por dentro.

Havia algo desconcertante em vê-lo falar de esperança sem prometer alívio. Em ouvi-lo falar de Deus sem barganha. Em escutar alguém que perdera quase todos os movimentos falar de liberdade. Jerônimo não pedia piedade. Oferecia perspectiva.

O quarto virou ponto de passagem. Gente que chegava com pressa aprendia a desacelerar. Gente que vinha reclamar saía em silêncio. Gente que buscava respostas saía com mais perguntas — mas perguntas melhores. Ele não curava corpos. Desarmava desespero.

E assim, parado, imóvel, quase esquecido pelo mundo que corre, Jerônimo começava a mover algo muito maior: consciências.

O corpo já não ia longe.
Mas a palavra, sim.

 

PARTE II — A DOR COMO LINGUAGEM

A dor, quando chega, não pede tradução. Ela se impõe. Mas, com o tempo, Jerônimo percebeu que havia nela uma gramática secreta, uma linguagem rude, porém insistente. Não era uma mensagem clara — nunca é —, mas um convite à escuta profunda. Enquanto o corpo gritava, algo mais silencioso começava a falar.

Havia dias em que a dor acordava antes dele. Ela estava lá, instalada, absoluta, como se tivesse passado a noite vigiando. Outras vezes vinha em ondas, imprevisível, traindo qualquer tentativa de rotina. Jerônimo aprendeu que planejar era inútil. O presente era tudo. O agora era o limite. E talvez fosse isso que a dor quisesse ensinar: não existe depois quando o corpo não colabora.

Ele perdeu o direito ao descuido. Cada gesto exigia consciência. Cada pensamento tinha peso. Não havia fuga no movimento, nem anestesia na distração. O sofrimento não permitia superficialidade. A vida, reduzida ao essencial, tornava-se quase transparente.

Foi nesse estado que Jerônimo começou a perceber algo desconcertante: quanto mais o corpo se fechava, mais as pessoas se abriam diante dele. Vinham com receio, desviando o olhar, sem saber onde pousar a própria normalidade diante de um corpo tão marcado. Mas bastavam poucos minutos para que o desconforto trocasse de lugar. O visitante já não sabia mais se era Jerônimo quem estava preso à cama — ou se era ele próprio quem nunca havia saído de uma prisão invisível.

Jerônimo não precisava convencer ninguém. Ele era o argumento.
A simples permanência, dia após dia, sem revolta ostensiva, sem cinismo, sem desistência, desmontava discursos prontos. Não porque fosse santo, mas porque era verdadeiro. Havia cansaço, havia irritação, havia momentos de silêncio pesado. Mas havia também uma escolha diária de não deixar que a dor se tornasse amargura.

O espiritismo lhe ofereceu uma moldura para essa experiência. Não como fuga mística, mas como continuidade. A ideia de que a vida não começava ali, nem terminaria naquele corpo, dava à dor uma estranha proporcionalidade. Ela continuava doendo — mas já não era infinita. Já não era tudo.

Jerônimo falava disso sem entusiasmo exagerado. Não havia euforia na aceitação, apenas serenidade conquistada à força. Ele dizia, com simplicidade quase desconcertante, que o sofrimento não era castigo, mas ferramenta. Uma ferramenta rude, imperfeita, mas eficaz para lapidar o que o conforto jamais tocaria.

Alguns se revoltavam ao ouvir isso. Outros se emocionavam. Ele aceitava ambas as reações com o mesmo respeito. Sabia que cada um só entende a dor que conhece. A dele não era modelo, nem régua. Era apenas a sua travessia.

O corpo, deformado, tornara-se um idioma que todos entendiam, mesmo sem querer. Ele comunicava fragilidade, finitude, limite. Mas Jerônimo acrescentava outra camada à mensagem: há dignidade mesmo quando não há solução. Há valor mesmo quando não há cura. Há grandeza mesmo quando não há movimento.

A cama deixou de ser apenas leito e virou púlpito silencioso. Não um lugar de pregação, mas de escuta. Jerônimo ouvia muito. Ouvir, aliás, tornou-se sua principal ação. Enquanto o corpo não respondia, a atenção se expandia. Ele escutava dores alheias com uma paciência que só quem convive com a própria pode sustentar.

E assim, pouco a pouco, a dor deixou de ser apenas um peso e passou a ser ponte. Ligava Jerônimo ao outro, nivelava as existências, desfazia hierarquias artificiais. Diante da dor real, títulos, pressa e vaidade perdem a voz.

A dor falava.
Jerônimo traduziu.

 

PARTE III — O QUARTO ONDE O MUNDO ENTRAVA

O quarto de Jerônimo não era grande. Nunca foi. Mas, com o tempo, tornou-se maior que muitas salas cheias. Havia ali uma cama, alguns livros, uma janela que emoldurava o dia, e uma presença que reorganizava o espaço. Quem entrava sentia, quase de imediato, que precisava diminuir o passo. A pressa não passava pela porta.

O mundo vinha até ele. Literalmente. Pessoas de cidades diferentes, histórias pesadas, esperanças improvisadas. Alguns chegavam por curiosidade, outros por desespero, outros ainda empurrados por uma fé cansada. Poucos sabiam exatamente o que buscavam. Quase ninguém saía igual.

Jerônimo recebia como podia. Às vezes falava pouco. Às vezes apenas ouvia. Havia dias em que o corpo não permitia mais que um aceno de cabeça, um olhar prolongado, um silêncio compartilhado. E, ainda assim, aquilo bastava. O quarto parecia absorver o excesso de palavras que o mundo gastava inutilmente.

Não havia promessas ali. Isso surpreendia. Em um ambiente religioso, muitos esperavam milagres, revelações, previsões. Jerônimo oferecia outra coisa: realidade com profundidade. Ele não tirava a dor de ninguém. Mas tirava a solidão da dor — e isso, para muitos, era mais raro.

A cama ficava encostada na parede. Dela, Jerônimo enxergava a porta. Gostava de ver quem chegava. Observava o jeito de entrar, o cuidado com o corpo, o olhar que primeiro se desviava e depois voltava. Sabia exatamente o momento em que o visitante parava de vê-lo como “o aleijado” e começava a vê-lo como alguém. Esse instante, quase imperceptível, era uma pequena vitória.

Falava-se de espiritismo, sim. Mas falava-se mais de vida. De escolhas erradas, de culpas antigas, de medos futuros. Jerônimo não respondia como quem tem respostas prontas. Ele devolvia perguntas. Perguntas que ficavam, que incomodavam, que acompanhavam o visitante na saída.

Alguns vinham esperando consolo e saíam responsabilizados. Outros vinham culpados e saíam aliviados. Jerônimo tinha essa habilidade estranha de não reforçar ilusões nem destruir esperanças. Ele ajustava o foco. Fazia ver o que estava fora do lugar.

O quarto virou um ponto de parada em vidas muito maiores que ele. E, ainda assim, ninguém sentia que estava perdendo tempo ali. Ao contrário. Havia a sensação de que, pela primeira vez em muito tempo, o tempo estava sendo usado corretamente.

Jerônimo não se colocava como exemplo, mas tornava-se um. Não por superioridade moral, mas por coerência. O discurso e a vida não brigavam entre si. O que ele dizia, ele vivia — mesmo quando viver doía.

À noite, quando o quarto esvaziava, o silêncio voltava com força. Era nesse momento que o peso se fazia sentir com mais clareza. Não havia plateia, não havia troca, não havia propósito visível. Apenas o corpo cansado, a dor persistente, a mente desperta demais. Eram horas longas, densas, onde a fé precisava ser mais que ideia.

E ela era. Não como certeza absoluta, mas como escolha renovada. Jerônimo não tinha garantias. Tinha confiança. Confiar, para ele, não era esperar resultados, mas continuar caminhando — mesmo sem pernas.

O quarto fechava a porta.
O mundo continuava.

Mas algo, em quem passara por ali, já não era o mesmo.

PARTE IV — O GIGANTE QUE SUSTENTAVA O CÉU

Com o passar dos anos, o corpo de Jerônimo tornou-se quase todo limite. Os movimentos rarearam, a voz perdeu força, o fôlego passou a ser contado. Para quem via de fora, era evidente: o fim se aproximava. Para ele, porém, havia outra percepção em curso. Não de despedida, mas de ajuste fino.

Era como se a vida estivesse reduzindo o volume do mundo exterior para ampliar a escuta interior.

Jerônimo já não falava tanto quanto antes. As palavras passaram a ser escolhidas com cuidado quase artesanal. Cada frase precisava valer o esforço que exigia do corpo. E, curiosamente, quanto menos ele falava, mais peso tinham suas falas. Não havia desperdício. Não havia pressa. Havia precisão.

Quem se aproximava naquele período percebia algo diferente. Não era tristeza. Também não era resignação passiva. Era uma presença profunda, densa, como se Jerônimo estivesse ancorado em algo invisível, mas absolutamente real. Ele parecia sustentar o próprio céu — e, às vezes, o céu de quem chegava desabando.

O sofrimento físico atingira níveis que não cabem em descrição honesta. Havia dores que não cediam, noites que não passavam, dias que pareciam feitos de uma única hora repetida. Ainda assim, não se ouviam dele queixas amargas. Não porque não existissem motivos, mas porque ele havia compreendido algo essencial: reclamar não diminui a dor; apenas a espalha.

Jerônimo não negava o sofrimento. Ele o atravessava com dignidade.

Nesse período, muitos perguntavam como ele conseguia. Esperavam fórmulas, explicações espirituais complexas, algum segredo elevado. Ele respondia de forma quase frustrante para quem buscava atalhos: “Um dia de cada vez.” Às vezes, completava: “E alguns dias, uma hora de cada vez.”

A grandeza de Jerônimo nunca esteve em feitos extraordinários, mas na fidelidade ao pequeno. Permanecer. Respirar. Não desistir do humano. Não endurecer. Não transformar a dor em desculpa para ferir o mundo. Isso, sim, era heroísmo silencioso.

O Gigante Deitado sustentava mais do que parecia possível. Sustentava perguntas sem resposta. Sustentava a própria fragilidade sem se odiar por ela. Sustentava a fé sem exigir garantias. Sustentava os outros sem se colocar acima.

Havia algo profundamente desarmador em vê-lo ali, quase imóvel, enquanto tanta gente saudável desperdiçava movimento, tempo e oportunidade. Jerônimo nunca fez essa comparação em voz alta. Mas ela acontecia dentro de quem o visitava. E doía. Doía de um jeito produtivo.

Ele costumava dizer, com um leve sorriso no olhar, que o corpo havia se tornado pequeno demais para o espírito. Não como metáfora bonita, mas como constatação prática. O espírito queria ir, servir, expandir. O corpo dizia não. E, nesse conflito, ele aprendeu a servir exatamente onde estava.

Quando já não podia mais receber visitas com frequência, o quarto silenciou de vez. Mas o silêncio não era vazio. Era pleno. Jerônimo parecia conversar com algo que os outros não viam. Não por delírio, mas por intimidade com o invisível.

O gigante permanecia deitado.
Mas já estava em pé por dentro.

PARTE V — QUANDO O GIGANTE SE LEVANTA

A morte não chegou como inimiga. Chegou como continuidade.

Para quem acompanhou Jerônimo até o fim, houve tristeza, sim. Mas não houve desespero. A sensação era estranha, quase paradoxal: perdia-se o homem, mas permanecia a presença. O corpo finalmente cedia — e, com ele, a última prisão.

O Gigante Deitado levantou-se.

Não houve espetáculo. Nenhum fenômeno visível. Nenhuma ruptura dramática. Apenas a cessação da dor, como quem fecha um livro já compreendido. A vida física cumprira seu papel. Tudo o que precisava ser vivido ali, havia sido.

Jerônimo deixou um legado que não cabe em biografias formais. Não fundou instituições. Não acumulou bens. Não deixou discursos gravados. Deixou algo mais raro: gente transformada. Consciências deslocadas do lugar confortável. Olhares mais humildes diante da própria existência.

O gigante levantou-se nos outros.

Cada pessoa que aprendeu a sofrer sem se embrutecer.
Cada pessoa que entendeu que dignidade não depende de eficiência física.
Cada pessoa que passou a tratar a própria dor com mais respeito — e a dor alheia com mais cuidado.

Jerônimo Mendonça ensinou, sem querer ensinar, que a grandeza humana não está na ausência de limites, mas na maneira como se vive dentro deles. Que o espírito não se mede pelo que faz, mas pelo que sustenta. Que é possível estar imóvel e, ainda assim, mover o mundo.

Hoje, quando se fala no Gigante Deitado, não se fala de pena.
Fala-se de reverência.

Porque alguns espíritos não vieram para correr.
Vieram para ancorar.

E, ancorados na dor, mostraram o caminho da elevação.

EPÍLOGO — OS EXEMPLOS QUE FICARAM

Jerônimo Mendonça não deixou lições escritas em forma de mandamentos. Deixou exemplos vivos, gravados no cotidiano, no silêncio, na forma como atravessou a própria existência. Seu maior ensinamento nunca esteve nas palavras que disse, mas na maneira como viveu aquilo que muitos apenas discursam.

Ele nos deixou o exemplo da força verdadeira — não a que vence pela imposição, mas a que resiste sem perder a ternura. Uma força que não depende de músculos, mas de sentido. Que não grita, não agride, não se exibe. Apenas permanece.

Deixou-nos a coragem silenciosa, aquela que não aparece nos aplausos, mas se revela ao acordar todos os dias sabendo que a dor continuará ali. A coragem de não desistir da vida mesmo quando o corpo parece desistir de nós. A coragem de continuar acreditando no bem quando seria compreensível endurecer.

Ensinou, sobretudo, o que é perseverar na doença. Não como quem nega o sofrimento, mas como quem se recusa a ser reduzido por ele. Jerônimo mostrou que a enfermidade pode limitar o corpo sem aprisionar o espírito; que é possível estar doente sem se tornar amargo, frágil sem se tornar pequeno.

Sua vida foi uma aula profunda de resiliência. Não a resiliência vazia dos slogans modernos, mas a que nasce da convivência diária com o limite. A capacidade de adaptar-se sem perder identidade. De aceitar o que não pode ser mudado sem abandonar o que ainda pode ser vivido: o amor, o cuidado, a escuta, a presença.

Jerônimo nos deixou, acima de tudo, um exemplo raro de amor. Um amor sem utilidade, sem troca, sem exigência. Amor que acolhe, que escuta, que respeita o tempo do outro. Amor que não cura corpos, mas sustenta almas. Amor que se oferece mesmo quando quase nada mais se pode oferecer.

E deixou-nos uma fé madura. Não a fé que exige milagres, mas a que confia mesmo sem garantias. Uma fé que não pergunta “por quê?”, mas “para quê?”. Fé que não negocia com Deus, mas caminha com Ele — inclusive nos dias em que o chão dói.

O Gigante Deitado levantou-se, sim.
Levantou-se dentro de cada um que aprendeu, com ele, que viver não é apenas mover-se, mas dar sentido ao que se vive.

Porque há existências que passam rápidas e deixam pouco.
E há aquelas, como a de Jerônimo Mendonça,
que permanecem.

Não pelo corpo que se deitou,
mas pelo espírito que nunca caiu.

* Enoque Alves Rodrigues